Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

25. CERVEJA E A NOITE DAS BRUXAS

Reza a lenda que algures na Alemanha há umas largas centenas de anos, as mulheres inventaram a cerveja. Enquanto cuidadoras do lar e fazedoras de pão, mantinham os cereais armazenados para o uso culinário. E foi a fermentação dos grãos de cevada que levou essas mulheres a pensarem no reaproveitamento deste cereal para outro fim que não o pão. O empreendedorismo foi o passo seguinte. E as mulheres começaram a vender este néctar tão apreciado e cobiçado para trazer mais uns tostões para o sustento da família. Como era necessário manter a cevada longe dos ratos, nada como encher a casa de gatos. A vassoura, colocada à porta de casa, permitia sinalizar que a bebida estava disponível para ser comprada. Encontrar as mulheres cervejeiras no mercado não era difícil: elas usavam chapéus grandes e pontiagudos para serem reconhecidas pelos clientes. E geralmente estavam diante de grandes caldeirões, onde o líquido era produzido. Os monges atentos, não perderam tempo. E sem demora, demonizaram est...

24. O ELEFANTE NA SALA

  " Vou-te contar uma coisa. É mesmo importante só tu é que podes saber. Tenho isto aqui atravessado e preciso mesmo desabafar contigo. "  E sem saberes como nem porquê, ficas com uma bomba ou uma prenda nas mãos. Os segredos ocupam mais espaço do que o pensamento. Assemelham-se a balões cheios que podem rebentar com um movimento brusco. E enquanto estão cheios, não libertam espaço para os outros processos do nosso discurso interno. Porque tudo passa a girar à volta desse frágil balão. Com o passar do tempo os segredos perdem a tonicidade, o balão murcha e o ar acaba inevitavelmente por sair. Sem o esplendor do balão cheio quando esvazia e recheado de nada quando o seu ar já se esgotou.  Nas famílias, organizações ou em qualquer grupo de pessoas que convivem regularmente, o segredo segmenta. Separa os bons dos maus, os informados dos ignorantes, os mais dos menos.  Há pessoas que adoram segredos. De tal forma que quando eles não existem, cultivam-nos. Acarinham-nos e...

23. PELA BOCA MORRE O PEIXE

  "Não posso. Não consigo. Tenho que..."  Expressões que abundam o nosso discurso interno. Para as coisas mais triviais da vida - "Tenho que colocar o lixo no contentor"  - e para as coisas mais complexas - "Não posso continuar a perder as estribeiras quando falo com o João." Quando usamos estas expressões, parece que estamos a identificar objetivos e a definir prioridades. Ter de, precisar de, necessitar de alguma coisa, sinaliza necessidades e coloca um sentido de obrigação que pode ter um efeito perverso. Quando confundimos tarefas triviais e obrigações com necessidades, podemos estar a contar mentiras a nós próprios. As necessidades são coisas sem as quais não conseguimos sobreviver - respirar, dormir, comer, conectar. E as tarefas ou ações na nossa lista, podem ser percepcionadas como obrigações, mas dificilmente são necessidades. O caminho alternativo, poderá ser pararmos de nos pressionar com coisas que achamos fundamentais para a nossa sobrevivênci...

22. MINHAS QUERIDAS E MEUS QUERIDOS; ESTA NÃO É UMA MENSAGEM DE AMOR.

  "Minha querida Maria, quantas vezes tenho que te explicar que não é assim que se fazem as coisas? Já tivemos esta conversa milhares de vezes..." Ouves esta frase. Mais vezes do que gostarias. E no hábito que se transformou numa rotina, continuas a achar que há algo que não bate certo. O que é que existe de profundamente dissonante nesta mensagem? A frase começa com minha querida - palavras de amor, apreço, colo - e o que vem a seguir, é como uma palmada no rabo. À moda antiga. Uma tareia de incompetência e incompreensão, regada de sentimentos de irritação, frustração e impaciência. Que o teu interlocutor te oferece como se de um abraço se tratasse. E tu voltas a ter 5 anos. Sentas-te no lugar da criança inexperiente e ignorante que já fez mais uma asneira.  Juntar estes dois significados na mesma frase, não só confunde a mensagem como é uma das formas mais frequentes de agressividade passiva. E provavelmente das mais impactantes negativamente não pela gravidade, mas pe...

21. VESTIR A CAMISOLA

Pensa em todas as camisolas que já usaste. No sentido figurativo. Os símbolos, cores, imagens, mensagens que vestiste ou vestes e que representam a tua ligação a alguma coisa. Pensa ainda nas crenças que são de tal forma importantes para ti que as trazes orgulhosamente ao pescoço, tais como símbolos religiosos ou ideológicos.  Quando usamos símbolos, há algo em nós que se completa. Sentimo-nos integrados e parte de alguma coisa maior do que nós próprios. Estes símbolos, marcam o sentido de pertença a um grupo, organização, equipa, crença ou ideologia. Ajudam-nos a afirmar a nossa identidade e a conectar-nos com alguma coisa de valor para nós. Permitem-nos satisfazer uma das necessidades basilares do ser humano: a pertença.  É normal pertencermos a vários grupos ao longo da vida. Em fases distintas ou em simultâneo. E há camisolas que vestimos para a vida. Porque marcam de tal forma quem somos e o que defendemos que funcionam como uma tatuagem. Os adeptos de clubes desportivos ...

20. A MENINA DOS TOTÓS

  O que descrevo, aconteceu no Trail Curto do Vimeiro, na manhã de 12 de setembro de 2021. No convívio final e após 19 Km de muita luta, ouço com um misto de orgulho e embaraço outra mulher, militar de carreira, a elogiar a minha destreza nas descidas: "A menina dos totós fez aquelas descidas de tal maneira! Parabéns, admiro-lhe a coragem!".  Senti orgulho porque no topo dos meus 49 anos, ainda me consigo sentir no pódio da bravura, coragem e destreza. Embaraço porque a regar este pódio, encontra-se um rio de medo, incerteza e insegurança. O medo durante a experiência, funcionou como impulsionador através das suas injeções de adrenalina; a incerteza, pela percepção dos riscos reais nos declives mais acentuados; insegurança, por saber que já fui capaz de mais, já caí muitas vezes (não sou assim tão boa) e há sempre alguém que eu conheço capaz de conquistar estes declives com muito mais destreza do que eu.  Isto soa-vos familiar? Minimizarmos quem somos perante a adversidad...

19. O QUE FARIAS SE FOSSES SUPER EGOÍSTA?

  Ainda hoje quando faço viagens de avião, sinto um desconforto enorme quando nas instruções de segurança nos informam que em situação de emergência e se saírem as máscaras de oxigénio, temos que colocar sempre e primeiro a nossa antes de ajudar a criança sentada ao lado. Apesar de racionalmente compreender a razão, o meu condicionamento faz-me acreditar que devemos ajudar sempre os outros primeiro. E só depois cuidar de nós.  Apesar de tudo, no caso do avião parece-me fácil compreender que só com o suporte de oxigénio fácil e rápido de colocar, estarei em condições de ajudar sem pôr em risco a vida de todos. Então porque é que no dia a dia arriscamos tanto a nossa existência para responder aos outros, acabando por colocar em causa a nossa sobrevivência e inevitavelmente a dos outros à nossa volta? Tal como no exemplo do avião? O que aconteceria se escolhêssemos não usar a máscara e privar-nos do suporte de vida mais importante naquele momento? E não é isso o que escolhemos fa...

18. CAMINHO NÃO ESCOLHIDO

  "Qual o teu caminho não escolhido?" Pergunta que faço frequentemente no início de tantas formações e que te convido agora a refletir na resposta. Se não estivesses a fazer o que estás a fazer neste momento da tua vida, o que estarias a fazer? Houve algum momento no passado em que as tuas escolhas te poderiam ter levado para um caminho completamente diferente? Eu poderia ter enveredado pela área do fitness ou do desporto aventura. Poderia ainda ter seguido uma carreira como professora universitária ou dedicar o meu tempo à psicologia clínica. Até poderia ter sido uma espécie de artista a viajar pelo mundo fora a dar espetáculos! A influência da família para me manter num determinado rumo e a decisão de mudar de curso ao fim do meu primeiro ano de faculdade, determinaram os trilhos que se seguiram. E mesmo com um novo rumo ou escolhas, senti que tive um universo de possibilidades que poderiam ter levado a um destino completamente diferente - como estar a viver nos EUA, noutra...

17. A PERSEGUIR CAMINHOS SEM SAÍDA

  Já alguma vez estiveste em situações em que independentemente das escolhas que fazes terminas sempre num beco sem saída? Voltas para trás, fazes outra escolha até perceberes que acabaste de encontrar outro caminho sem saída. Em outras alturas, andas para trás e para a frente, entre o final do caminho e a única saída aparentemente possível e familiar, que não queres voltar a percorrer. É como um "sempre em pé" que nunca chega a cair, mas também não sai do mesmo lugar. Senti exatamente isto num treino de corrida pelas Salinas de Tavira, divertindo-me com a ironia da vida. Nas mais pequenas coisas, encontramos as metáforas mais incríveis e esclarecedoras, recheadas de ensinamentos e também lugares comuns. Porque é que tantas vezes na vida nos sentimos imobilizados, neste conflito entre o desconforto do desconhecido e o conforto do familiar, ainda que disfuncional? A principal razão é o medo .  Da mesma forma que nascemos aptos a explorar e a descobrir, também temos um instinto...

16. AGILIDADE EMOCIONAL: APRENDER A VIVER COM AS EMOÇÕES E SEGUIR COM AS NOSSAS VIDAS

  Vivemos hoje em constante stress ou em sobrecarga com as exigências do trabalho, família, saúde ou finanças. Há ainda um número infindável de outras pressões pessoais a par de grandes forças que afetam a sociedade como a pandemia, uma economia global inconstante e imprevisível, mudanças climáticas, mudanças culturais e até de género e um nunca acabar de tecnologias úteis mas muitas vezes disruptivas. A resposta dos dias de hoje para a sobrecarga é tornarmo-nos profissionais multitarefas acabando por aumentar esta sobrecarga, que na realidade não nos traz qualquer alívio. O nosso desempenho quando executamos várias tarefas em simultâneo, é comparável a conduzirmos bêbados.  Por outro lado, nem sempre as ações que ocupam mais o nosso dia estão alinhadas com os nossos sonhos ou o que mais desejamos para as nossas vidas. Apesar de muitos de nós procurarem perceber o que é melhor para si e para os seus, sentimo-nos muitas vezes encurralados pelas circunstâncias da vida atual, ali...

15. MECANISMOS DE RESPOSTA PARA LIDAR COM CULTURAS TÓXICAS (parte II)

  Há organizações que por diferentes razões sofrem um crescimento muito rápido e muitas vezes descontrolado. Esse crescimento é gerador de uma grande energia que pode ter dois lados: o positivo, é o envolvimento e entrega total dos colaboradores pelo foco na novidade e urgência, e a motivação pelo incentivo de resultados que acontecem rápida e frequentemente. O lado negativo, é o custo nas pessoas pelo enorme desgaste, podendo levar a muitas situações de esgotamento e grande rotatividade. A necessidade de recrutar pessoas para funções novas que estão sempre a ser criadas e a dificuldade de alinhamento de competências com as tarefas e funções que estão em constante mudança, são dois dos problemas mais frequentes. Estes aspetos, a par dos descritos no meu post anterior sobre culturas tóxicas, podem levar alguns colaboradores a um estado constante de ansiedade em que o desempenho fica claramente comprometido. O que é que provoca este estado de ansiedade? A amígdala - o sentinela do cé...

14. CULTURAS TÓXICAS E TRAUMA PROFISSIONAL (parte I)

Sentes as batidas do coração na garganta. Tens o estômago apertado e o corpo tenso. Percorres os últimos metros do caminho que te leva ao escritório, olhas para o relógio e abrandas o passo. Queres voltar para trás. Ouves o plim de mais uma mensagem no telemóvel a gritar urgência. Identificas o remetente indesejado de entre as centenas de emails que recebes diariamente. O coração explode. Aguardas o início de uma reunião online, com um nó no estômago e desejas até ao limite das tuas forças que a internet falhe. Imaginas constantemente um rol de razões válidas para justificar a tua desejada ausência. Lês uma mensagem e pensas em cada palavra antes de responder. Ainda assim, corriges 10 vezes antes de enviar. Estás numa reunião e pensas vezes sem conta no que queres e como queres dizer. Abres a boca, és interrompido ou ignorado e arrependes-te logo de seguida. Ou acabas por não dizer nada aumentando o teu esforço para gerir a ansiedade que entretanto aumentou. A meio do dia, já estás de ...

13. OBJETIVOS PERCEPCIONADOS COMO IMPOSSÍVEIS E A EXPERIÊNCIA DO ULTRA TRAIL DA FREITA.

  Alguma vez definiste uma meta percepcionada como inalcançável? Impossível de atingir à luz das tuas experiências, referências ou ambições? Seja qual for a dimensão da tua vida, pensa em conquistas - grandes, pequenas, simples ou complexas - que consideraste impossíveis de alcançar.  No dia 26 de Junho de 2021, tive uma dessas realizações. Terminei o Ultra Trail da Serra da Freita (UTSF) ao fim de 15h56 com um total de 59 Km percorridos, com +3.825m de desnível. "Onde tudo começou" - o trail mais antigo de Portugal e dizem as línguas - boas e más - que é um dos mais duros.  Experiência recheada de lições e aprendizagens que não são mais do que um reflexo dos desafios de todos os dias. Por isso, partilho contigo algumas dessas aprendizagens na esperança de que te inspirem a correr atrás dos teus objetivos percebidos como impossíveis. 1. Os objetivos percepcionados como impossíveis são os ativadores da verdadeira mudança. E se não estiver preparada? E se não conseguir? E s...

12. DON'T JUST THINK. RETHINK!

  We have a natural or unconscious tendency to resist new or anything going against our perceptions and beliefs. Especially if there is a paradox involved. In fact, our attitudes and beliefs are the software programs driving us everyday on life's journey. So it is easy to polarize, look at the two sides of the same coin and choose one side as the "right one" and stick to it. And it becomes our absolute truth. The higher the resistance from both sides, the greater chances for us to hold on ferociously to our "own truth" and begin the right vs wrong battle for the one and only sacred truth - our own of course!  Today more that ever we see a polarized world. And an increasing pressure to take a stand and choose a side. The more distant and extreme the different views are, the more we feel the pressure of "if you are not with us - or like us - then you are against us."  This is the shape of a wary world and life, where we have to defend ourselves and our t...

11. 15 YEARS OF EXPERIENCE VS 1 YEAR REPEATING THE SAME THING 15 TIMES

  "If you are not making a lot of mistakes and failing, you are going to be mediocre. Because if you are not making mistakes and failing, you are doing what you did yesterday."  (Richard Branson) When do we stop asking questions to advance growth and learning? How often do we ask ourselves about what do we want to experience in life? How do we want to grow and develop ourselves? Or how do we want to contribute to the world? Regardless our age. Is your life filled with joy and connection? Do you dedicate your time, energy and commitment to the things you value the most? Does "those things" value you back? Or do you sit behind the same desk for over a decade, repeating similar sequences and routines over and over again? Going out there, exploring the world, trying new things might be an amazing opening and flourishing strategy to experience novelty, learning and evolving. If you are open to the right mind, spiritual and heart set for the experience. If not, you will b...