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35. DETOX DE ROTINA

Estou a fazer um detox de rotina. Não são férias. Algumas atividades são as mesmas, mas num ambiente completamente diferente. Os nossos ritmos não são compatíveis com a sobrecarga de trabalho, a ansiedade coletiva típica das organizações e as exigências do dia a dia. Aprendi da pior forma a importância de abrandar. Organizei a minha vida para não estar dependente de agendas irrealistas, mas acima de tudo da insegurança, reatividade e necessidade de controlo das outras pessoas. Recuperei a liberdade que tanto preservo para ser quem sou. E neste estado, recuperei também a minha criatividade, bom humor, conexão com quem importa e produtividade. Então, como é que organizo o meu detox de rotina? 1. Mudei de ares durante uma semana. Saí de casa e instalei-me num sítio diferente do habitual. 2. Planeei as refeições, e fiz as compras para toda a semana assim que cheguei, para não pensar mais nisso. Claro que guardei uma manhã para ir ao mercado local. Nunca perco essa oportunidade, indepen...

28. AS 12 PASSAS, RESOLUÇÕES DE 2022 E O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

  Fascina-me a tradição das passas ao virar do ano. Subir para uma cadeira com 12 passas e mastigá-las a cada badalada. Cada uva seca representa uma nova oportunidade. Com alguma sorte, calham-nos sultanas. Assim não atrapalhamos a cadência do processo. Depois, cuidado com o pé com que se desce da cadeira, não vá o esquerdo desfazer os desejos! Pedimos. A algo ou alguém superior, ao divino, ao universo ou a nós próprios. Para alguns, o ato de pedir descansa do trabalho de fazer. Os seus desejos ficam entregues ao acaso alimentados pela crença na superstição que com alguma sorte claro, fará o resto do trabalho.  Temos ainda as resoluções do ano novo. Há quem junte as duas coisas. As mais fáceis, surgem em forma de check list: inscrever-me no ginásio, emagrecer 5 Kg, correr uma maratona, terminar o mestrado. São também estas as que mais rapidamente nos condenam ao insucesso. Não ascendemos ao nível dos nossos objetivos. Mas descemos ao nível dos nossos sistemas. Refere  Ja...

27. LIVREI-ME DA TRALHA!

Quem conheço com menos tralha, muda  frequentemente  de casa. A cada 4-5 anos, desfazem-se do que já não precisam e libertam os próximos anos para voltar a acumular. Criam espaço para mais tralha. Meia década depois, o ciclo repete-se.  Vivo na mesma casa há 15 anos. Logo, muita tralha! Há um ano atrás, a minha percepção de falta de espaço acentuou-se. Com a família a habitar o lar mais horas do que nunca, a necessidade de ar a circular aumentou de forma proporcional ao tempo que passámos entre quatro paredes.  Comprei um livro da Marie Kondo. Li-o num dia e meio. Arregacei as mangas, segui as receitas e iniciei o processo de me livrar da tralha. Larguei 80% da minha roupa. Curiosamente, perdi a vontade de comprar mais. Tornei-me bastante seletiva. Descobri que adoro gavetas vazias e espaço nos armários. Ar a circular. Fiz o mesmo com as coisas da casa. Aprendi a juntar os itens por categorias e surpreendi-me com a quantidade de rolos de fita-cola de que somos propr...

19. O QUE FARIAS SE FOSSES SUPER EGOÍSTA?

  Ainda hoje quando faço viagens de avião, sinto um desconforto enorme quando nas instruções de segurança nos informam que em situação de emergência e se saírem as máscaras de oxigénio, temos que colocar sempre e primeiro a nossa antes de ajudar a criança sentada ao lado. Apesar de racionalmente compreender a razão, o meu condicionamento faz-me acreditar que devemos ajudar sempre os outros primeiro. E só depois cuidar de nós.  Apesar de tudo, no caso do avião parece-me fácil compreender que só com o suporte de oxigénio fácil e rápido de colocar, estarei em condições de ajudar sem pôr em risco a vida de todos. Então porque é que no dia a dia arriscamos tanto a nossa existência para responder aos outros, acabando por colocar em causa a nossa sobrevivência e inevitavelmente a dos outros à nossa volta? Tal como no exemplo do avião? O que aconteceria se escolhêssemos não usar a máscara e privar-nos do suporte de vida mais importante naquele momento? E não é isso o que escolhemos fa...