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32. O MUNDO ESTÁ UM CAOS, O MEU FILHO PINTOU O CABELO DE AZUL E TORNEI-ME EMPRESÁRIA!

  O mundo está um caos. Muitos diriam que já não é de hoje. Andamos de crise em crise sem tempo para recuperar para a seguinte. Aumentamos as nossas armaduras ou baixamos a guarda. Avançamos com tudo ou rendemo-nos às circunstâncias.  O meu filho pintou o cabelo de azul. Tendo em conta o estado do mundo, parece irrelevante. E de facto é. Uma experiência com consequências reversíveis. A seguir, vai pintar de outra cor. E eu já estou preparada. Depois do primeiro choque.   Este é um exemplo ridículo, mas sentido, que ilustra como funcionamos. Das coisas mais irrelevantes às de maior gravidade. Tiramos as máscaras. Habituamo-nos aos bombardeamentos.  Normalizamos o que mais tememos. Pomos as coisas em perspetiva. Hoje a pandemia perdeu importância. Deu lugar à guerra. A vida continua.  E eu tornei-me empresária.   O que é que isto tem a ver com tudo o resto? Resiliência.  Felizmente nascemos com o equipamento biológico para desenvolvê-la. Numa fase e...

31. ULTRA TRAIL DA LOUSÃ - SERRA DE EMOÇÕES

  Serra de emoções . Assim se auto designa a Serra da Lousã. Bem verdade. Das emoções mais fáceis às mais difíceis de gerir. A minha participação no Ultra Trail da Lousã, 45 Km em 9h30, +3.350m de desnível, contribuiu fortemente para a minha literacia emocional. Alimentei três medos na preparação para esta prova: 1. Medo do frio . O último aviso da organização, foi sobre a expectativa de neve acima dos 800m. Subimos aos 1.200m. 2. Medo das bolhas nos pés . A minha experiência no Ultra Trail da Serra da Freita  deixou-me com muitas mazelas e um tempo considerável e doloroso de recuperação. 3. Medo de não conseguir cumprir com as quatro barreiras horárias impostas pela organização. Tendo em conta o meu ritmo, o facto de esta ser a prova com mais desnível de sempre e o nível competitivo do evento, sabia que ía ser difícil. Os dois primeiros medos, foram os mais fáceis de ultrapassar. Depois de estar em movimento, já sei por experiência que o frio deixa de ser um problema. Portan...

26. O QUE VÊS?

  Olha para a imagem. Provavelmente já adivinhaste a pergunta. O que vês?   Depois das respostas - vejo números, operações numéricas, fundo preto com números e símbolos a branco, blá, blá, blá... responde ao que o teu cérebro faz automaticamente. O cálculo. E agora o que vês? Ponho as mãos no fogo em como a tua resposta é - Uma conta está errada. Acertei? Ao longo dos anos, tenho usado inúmeras vezes este exercício com largas centenas de pessoas.  99,9% das vezes, a resposta é uma conta está errada . A única excepção, foi um dos participantes numa palestra que dei em Nashville, Tennessee nos EUA em 2012, na Conferência Internacional da American Re-Education Association.  No meio de dezenas de pessoas, Nicholas Long escuta com o seu perspicaz sorriso desde o momento em que olhou para a imagem. Após ouvir várias respostas, diz: " três contas estão certas ". Nicholas Long é autor de vários livros  e um dos profissionais mais influentes nas abordagens terapêuticas c...

23. PELA BOCA MORRE O PEIXE

  "Não posso. Não consigo. Tenho que..."  Expressões que abundam o nosso discurso interno. Para as coisas mais triviais da vida - "Tenho que colocar o lixo no contentor"  - e para as coisas mais complexas - "Não posso continuar a perder as estribeiras quando falo com o João." Quando usamos estas expressões, parece que estamos a identificar objetivos e a definir prioridades. Ter de, precisar de, necessitar de alguma coisa, sinaliza necessidades e coloca um sentido de obrigação que pode ter um efeito perverso. Quando confundimos tarefas triviais e obrigações com necessidades, podemos estar a contar mentiras a nós próprios. As necessidades são coisas sem as quais não conseguimos sobreviver - respirar, dormir, comer, conectar. E as tarefas ou ações na nossa lista, podem ser percepcionadas como obrigações, mas dificilmente são necessidades. O caminho alternativo, poderá ser pararmos de nos pressionar com coisas que achamos fundamentais para a nossa sobrevivênci...

17. A PERSEGUIR CAMINHOS SEM SAÍDA

  Já alguma vez estiveste em situações em que independentemente das escolhas que fazes terminas sempre num beco sem saída? Voltas para trás, fazes outra escolha até perceberes que acabaste de encontrar outro caminho sem saída. Em outras alturas, andas para trás e para a frente, entre o final do caminho e a única saída aparentemente possível e familiar, que não queres voltar a percorrer. É como um "sempre em pé" que nunca chega a cair, mas também não sai do mesmo lugar. Senti exatamente isto num treino de corrida pelas Salinas de Tavira, divertindo-me com a ironia da vida. Nas mais pequenas coisas, encontramos as metáforas mais incríveis e esclarecedoras, recheadas de ensinamentos e também lugares comuns. Porque é que tantas vezes na vida nos sentimos imobilizados, neste conflito entre o desconforto do desconhecido e o conforto do familiar, ainda que disfuncional? A principal razão é o medo .  Da mesma forma que nascemos aptos a explorar e a descobrir, também temos um instinto...

15. MECANISMOS DE RESPOSTA PARA LIDAR COM CULTURAS TÓXICAS (parte II)

  Há organizações que por diferentes razões sofrem um crescimento muito rápido e muitas vezes descontrolado. Esse crescimento é gerador de uma grande energia que pode ter dois lados: o positivo, é o envolvimento e entrega total dos colaboradores pelo foco na novidade e urgência, e a motivação pelo incentivo de resultados que acontecem rápida e frequentemente. O lado negativo, é o custo nas pessoas pelo enorme desgaste, podendo levar a muitas situações de esgotamento e grande rotatividade. A necessidade de recrutar pessoas para funções novas que estão sempre a ser criadas e a dificuldade de alinhamento de competências com as tarefas e funções que estão em constante mudança, são dois dos problemas mais frequentes. Estes aspetos, a par dos descritos no meu post anterior sobre culturas tóxicas, podem levar alguns colaboradores a um estado constante de ansiedade em que o desempenho fica claramente comprometido. O que é que provoca este estado de ansiedade? A amígdala - o sentinela do cé...

14. CULTURAS TÓXICAS E TRAUMA PROFISSIONAL (parte I)

Sentes as batidas do coração na garganta. Tens o estômago apertado e o corpo tenso. Percorres os últimos metros do caminho que te leva ao escritório, olhas para o relógio e abrandas o passo. Queres voltar para trás. Ouves o plim de mais uma mensagem no telemóvel a gritar urgência. Identificas o remetente indesejado de entre as centenas de emails que recebes diariamente. O coração explode. Aguardas o início de uma reunião online, com um nó no estômago e desejas até ao limite das tuas forças que a internet falhe. Imaginas constantemente um rol de razões válidas para justificar a tua desejada ausência. Lês uma mensagem e pensas em cada palavra antes de responder. Ainda assim, corriges 10 vezes antes de enviar. Estás numa reunião e pensas vezes sem conta no que queres e como queres dizer. Abres a boca, és interrompido ou ignorado e arrependes-te logo de seguida. Ou acabas por não dizer nada aumentando o teu esforço para gerir a ansiedade que entretanto aumentou. A meio do dia, já estás de ...