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18. CAMINHO NÃO ESCOLHIDO

 
"Qual o teu caminho não escolhido?" Pergunta que faço frequentemente no início de tantas formações e que te convido agora a refletir na resposta. Se não estivesses a fazer o que estás a fazer neste momento da tua vida, o que estarias a fazer? Houve algum momento no passado em que as tuas escolhas te poderiam ter levado para um caminho completamente diferente?

Eu poderia ter enveredado pela área do fitness ou do desporto aventura. Poderia ainda ter seguido uma carreira como professora universitária ou dedicar o meu tempo à psicologia clínica. Até poderia ter sido uma espécie de artista a viajar pelo mundo fora a dar espetáculos! A influência da família para me manter num determinado rumo e a decisão de mudar de curso ao fim do meu primeiro ano de faculdade, determinaram os trilhos que se seguiram. E mesmo com um novo rumo ou escolhas, senti que tive um universo de possibilidades que poderiam ter levado a um destino completamente diferente - como estar a viver nos EUA, noutras zonas do meu país ou até mesmo do mundo. Dizer sim a um caminho, implicou sempre dizer não a tantos outros.

E tu? Quais são os teus caminhos não escolhidos?
De todas as vezes que coloco esta pergunta quando trabalho com grupos, encontro sempre alguém que escolheu o seu caminho desde muito cedo. Independentemente da idade atual, não se imaginaria a fazer outra coisa. Mas a maior parte de nós, experimenta várias escolhas, interesses ou paixões deixando-se navegar por universos de possibilidades e de encontro aos desafios das escolhas. Que têm tanto de angustiante como de libertador.

O benefício do exercício, não é divagar sobre o que poderia ter sido, mas sim compreendermos que ao longo da vida temos muitas oportunidades de escolha. Podemos trilhar inúmeras versões de nós próprios, vivê-las intensamente e mudar de rumo. Podemos mudar de ideias à medida que crescemos, descobrir novas paixões e dar sentido a coisas que anteriormente não estavam no nosso horizonte. O mundo está cheio de pessoas que decidem mudar completamente o seu rumo, não só uma mas diversas vezes ao longo da vida. 

Podemos também fazer uma aprendizagem sobre o nosso padrão de resposta na forma como escolhemos, ou como percepcionamos as escolhas. Pensa na maior parte das decisões que já tomaste na vida e que influenciaram o sítio onde te encontras agora; foram decisões influenciadas por circunstâncias externas? Sentiste que estavas a reagir? Ou por outro lado, foram decisões ponderadas e desenhadas à tua medida, independentemente das circunstâncias favorecerem ou não as tuas escolhas? A tua tomada de decisão foi influenciada por terceiros?
Encontras algum padrão na resposta a estas questões? Se sim, o que é que isso te diz sobre a tua capacidade de fazer escolhas? Quanto mais atribuires as tuas decisões à tua capacidade de escolha e responsabilidade no processo, maior a probabilidade de sentires que tens controlo sobre a tua vida. Maior a probabilidade de teres desenvolvido a autonomia que significa viveres de acordo com as escolhas que fazes.

E se o caminho não escolhido for inevitável? Resultante da perda de alguém significativo, do emprego, de estatuto ou de alguma capacidade? Como recebes esse caminho? Persistes e continuas a perder-te no caminho do passado, familiar mas que já não existe, ou abraças a oportunidade de desenhar um novo, mesmo que inesperado?
Este é mais um dos momentos em que a clareza sobre o que mais valorizamos na vida funciona como uma bússola. Os nossos valores, apontam a direção. Podemos não saber se estamos no caminho certo, mas pelo menos sabemos a direção. E assim, mais facilmente agimos de acordo com o que é mais importante para nós, encontrando no meio da tempestade os recursos para navegar e sobreviver. 
Diz-se que depois da tempestade vem sempre a bonança. Esta é a boa notícia. Mas implica que temos que navegar a tempestade recheada de adversidade, incertezas, perdas e tantas vezes sofrimento, trazendo na bagagem o que nos mantém conectados a uma vida com sentido: as pessoas que realmente importam e a verdade sobre nós próprios. 

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Comentários

  1. Mais um grande momento reflexão motivado pela tua publicação. Obrigada!

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